Em 2003, o Sítio do Picapau Amarelo invadiu Portugal com o musical "No Reino das Águas Claras" e adaptado por um brasileiro, isso mesmo!. Eu sei que nesse momento você está se perguntando: "como assim", mas calma, nesse post te conto tudo que precisa saber sobre esse espetáculo licenciado pela Rede Globo na gringa que ganhou até trilha sonora oficial lançada em CD.
Antes de tudo é importante lembrar que o Sítio do Picapau Amarelo já era conhecido em terras portuguesas, pois a versão da série produzida pela TV Globo entre 1977 e 1986, foi exibida em Portugal pela RTP e naquele momento, a nova versão produzida em 2001 já estava no ar pelo canal SIC.
Produzida pela produtora "Plano 6" e adaptada por Cláudio Figueira e Carlos Artur Thiré, a escolha do "Sítio do Picapau Amarelo" para esse projeto em Portugal se deu por uma combinação de fatores. Depois de dois produzirem dois espetáculos originais que fizeram muito sucesso, a produtora quis apostar em algo mais estratégico, escolhendo uma obra já conhecida e querida do público.
Como já citado anteriormente, o "Sítio" fez muito sos ucesso na TV portuguesa, e isso ajudou a alavancar o projeto.Com isso, para dar continuidade a essa parceria, negociaram com a Rede Globo, detentora dos direitos autorais da obra para a realização do musical.
E lembra que falei que tinha dedo “nosso” nessa adaptação, pois é, como citado acima, estamos falando de Carlos Arthur Thiré que vem de uma família profundamente envolvida com o teatro.
Seu pai, Cécio Thiré, foi diretor e ator de teatro e TV. Sua avó, Tônia Carreiro, é lembrada como uma figura de destaque no teatro nacional. Na mesma linha, seu irmão Miguel Thiré vive em Portugal, trabalhando com teatro, enquanto sua irmã Luiza Thiré, também envolvida com o meio, reside no Rio de Janeiro, onde dirige núcleos infantis de programas de TV e filmes.
Desde pequeno, Carlos esteve imerso nesse ambiente artístico. Mesmo tendo tentado fugir desse destino e se formado em biologia, a paixão pelo teatro sempre esteve presente. Ele nunca chegou a exercer a profissão de biólogo, mas, após um tempo refletindo sobre sua vida, percebeu que queria mesmo era seguir os passos da família no palco. Foi então que se matriculou na CAU, a Casa de Arte de Laranjeiras, no Rio, onde fez um ano e meio de curso antes de se aventurar em Londres, para um intercâmbio e cursos relacionados ao teatro.
De volta ao Brasil, Carlos iniciou sua carreira profissional, trabalhando em novelas e peças, e até mesmo escrevendo algumas. Embora sua carreira tenha sido mais instável do que a de sua família, ele seguiu trabalhando, até que há 10 anos abriu uma colônia de férias.
Sua trajetória no teatro começou, de fato, quando estreou como autor e ator em um espetáculo, no qual teve a oportunidade de trabalhar com seu pai. Foi nesse contexto que um produtor o convidou para colaborar na criação de um espetáculo infantil. O sucesso dessa parceria resultou na criação de mais de 12 espetáculos infantis, sendo que o "Sítio do Picapau Amarelo" foi o terceiro da série, e também o mais significativo.
O processo de seleção do elenco e do roteiro envolveu uma grande bateria de testes. Foram feitas uma semana de audições, após um processo inicial de inscrição, onde as pessoas enviaram cenas gravadas para serem analisadas antes. Também houve uma pré-seleção. No final, o elenco foi formado, e a grande estrela da peça eram os próprios personagens, não os atores.
E olha, se tem uma coisa que a família e os detentores dos direitos da obra de Lobato eram, é chatos. Na verdade, iam bem além do necessário com essa questão de direitos autorais, tem horas que acho importante, mas em outras, nem tanto…
Enfim, em determinado momento, durante os ensaios da peça, foi enviada uma pessoa em Portugal, representando a Rede Globo, para acompanhar tudo de perto. Ela ficava responsável por garantir que estivesse tudo nos conformes, verificando se a história do Sítio e os personagens estavam sendo respeitados, sem nada saindo do roteiro.
A peça estreou no dia 5 de outubro de 2003 e teve uma nova temporada entre 4 de fevereiro e 2 de maio de 2004, no Teatro Tivoli, em Lisboa.
A trilha sonora ficou a cargo de Zé da Ponte, e como desde o começo, a proposta foi criar músicas originais, nenhuma música da versão brasileira foi adaptada. Carlos, como diretor na época, até tentou contestar: “Poxa, mas as músicas são tão marcantes! Como vamos montar o Sítio do Picapau Amarelo sem essas músicas que fazem parte do nosso imaginário infantil?”
Os direitos autorais das músicas originais seriam uma verdadeira fortuna e também, com o argumento de que essas músicas não faziam parte do imaginário das crianças de Portugal, elas eram mais lembradas pelos adultos, que tinham essa memória afetiva da infância.
A trilha foi lançada em CD pelo selo Som Livre e distribuida pela Sony Music com doze faixas no total com o proprio elenco cantando as canções. De acordo com o Jornal de Notícias, uma fonte da CGCom revelou que o espetáculo musical Reino das Águas Claras, inspirado na obra de Lobato, já havia sido assistido por mais de 70 mil pessoas só na primeira fase em Lisboa.
Alguns atores do elenco do espetaculo:
Emilia: Ana Catarina Alfonso
Pedrinho: Dino
Narizinho: Ana Teresa
Visconde de Sabugosa: Rui Melo
Dona Carochinha: Silvia Silva
Aranha Costureira: Lura
Doutor Caramujo: João Ascenso
José Lobato: Rábico
Texto e pesquisa realizada por: Luís Henrique, com a colaboração de Carlos Thiré.




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