sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Sítio do Picapau Amarelo 1985 / 1986

Em um tempo que o seriado já tinha decaído, e se desgastado com o tempo, o universo encantado do pica pau amarelo permaneceu ainda por mais dois anos. Com mudanças, e com direito até a uma nova pintura na casa, já que a proposta de Geraldo Casé era modernizar o sítio, afim de trazer novos ares para a trama, e fazer com que as crianças se vissem nos personagens. Vamos analisar então, os últimos anos da primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo na Rede Globo. 


 Em 1985, Casé decidiu que iria reformular o Sítio, a começar pela dupla de Pedrinho e Narizinho. Enquanto fazia os testes para as novas crianças, três episódios do Sítio de anos diferentes foram reprisados em forma de compacto com apenas cinco capítulos cada. Em meio de centenas de crianças, os escolhidos foram Gabriela Senra, e Daniel Lobo.

Quem diria que Narizinho um dia teria um visual tão atual quanto ao que Gabriela curiosamente adotou antes mesmo que a produção desse algum palpite. Já com Pedrinho, muito se especulava que além de aprender a lutar jiu-jítsu, Daniel aprenderia também a saltar de asa delta, para que qualquer dia chegasse ao Sítio voando. Diferente do que parecia, a ideia não era modernizar Lobato, como  Geraldo Casé disse na época.

Não vamos modificar Monteiro Lobato, cuja preocupação maior era a integração da criança com a natureza. Essa essência será sempre mantida. Mas temos que estabelecer uma visão mais contemporânea na composição dos personagens para que o publico encontre no programa necessidades e comportamentos semelhantes ao seu. Pedrinho e Narizinho têm que representar as crianças hoje vivendo no sítio. E para isso, temos que trazer o sítio para nossa realidade. 

Gabriela Senra tinha 9 anos quando foi escolhida (pois faria 10 em Maio), cujos pais incentivaram muito a carreira, na verdade em uma entrevista exclusiva para nós, Gabriela contou que a mãe fez de tudo para não leva-la ao teste, e a mesma insistiu até que conseguisse. Na época, em entrevistas Gabriela contou que sempre pensou em trabalhar na televisão, mas não imaginava que seria tão cedo e em um papel tão importante. Gabriela fez quatro testes e esperou dois meses para o resultado. 

O último teste foi no cenário do sítio com todos os personagens. Fiquei nervosa no começo, mas não era pelo teste, era pela emoção de estar ali junto com aquela gente que cresci admirando,. Sai sem muita esperança, mas disse para mamãe que mesmo que eu não ganhasse, só aquela emoção tinha valido a pena. Pensei que meu corte de cabelo podia atrapalhar, mas foi um barato! O Case adorou, e eu mais ainda. Contou Gabriela para O Globo na época. 

Gabriela recebia muitos elogios da equipe, e há quem diga que ela se parece com a atriz Rosana Garcia, que havia interpretado a primeira Narizinho no Sítio. Em uma entrevista para uma revista, o fotografo sugeriu que Daniel a entregasse uma flor para assim ele fotografar, daí que Gabriela soltou o seguinte : Eu já sou uma flor, pra que mais? Essas crianças prodígios da época, eram fogo. 

Daniel Lobo, tinha 12 anos quando passou no teste para fazer o Pedrinho, na época ele contou sonhar em fazer o papel, e que assistia muito o programa. Diferente de Gabriela, Daniel já havia feito alguns trabalhos no teatro, e em entrevista para O Globo, contou que chegou a torcer para um ou outro garoto que havia feito amizade nos noves testes que realizou. 

Ele também contou que o coração bateu forte, e ficou muito feliz em saber que seria mesmo o novo Pedrinho. Daniel também contou que sabia que o papel seria dele quando soube que seria o terceiro menino a fazer os testes, já que seu número da sorte era três. Assim como Izabella Bicalho (Narizinho 1983/1984) que recusou gravar um outro filme com Os Trapalhões, para se dedicar a personagem, Daniel Lobo também fez o mesmo. 

Gabriela era fã da banda Blitz, já Daniel adorava Os Menudos, alegando na época, que seu gosto era diferente de seus colegas.  Lembrando também, que o próprio Daniel pediu para Casé, que o deixasse fazer o testo, dizendo seu seu sonho interpretar o menino aventureiro.

O restante do elenco permaneceu, dentre eles Zilka Salaberry, Jacira Sampaio, e André Valli que já estavam no elenco fixo desde 1977, além de Susana Abranches que seguia fazendo o papel da boneca Emília desde 1983. Vale lembrar que no ano de 85, quem vestiu a fantasia da Cuca foi Rosana Israel, já que Catarina atuara em outro seriado nessa epoca.

A cenografia sofreu algumas mudanças para a nova fase do Sítio do Picapau Amarelo, a casa por exemplo é a maior prova disso, aderindo uma nova pintura nas paredes do lado de fora, desta vez com a cor rosa 
Casa do Sítio do Picapau Amarelo em 1985

Já se especulava então que um novo episódio engraçadíssimo, teria sido escrito para o seriado, por Marcos Rey e Hamilton Vaz Pereira. Estava entregue o episódio O Enigma Enigmático. A nova fase do programa estreou em uma segunda feira no dia primeiro de Julho, o programa agora seria exibido durante as ferias escolares. O Enigma Enigmático conta a história de um invento de um cientista brasileiro, o KL 7, que serve para desativar todas as armas nucleares. Criado para a paz ele pode no entanto, servir a interesses  escusos, quando é roubado por bandidos perigosíssimos. Parte da história se desenvolve a partir da busca por efetuada por Pedrinho e pelo detetive Borges (interpretado pelo ator Gracindo Júnior). Em outro polo da ação, aparece no sítio uma equipe do cinema americano. Zilka e Jacira, além de seus papeis de Dona Benta e Tia Nastacia atuam como Rut Davss e Sarah Maughan. A trama ia ao ar as 17:15 da tarde.


 No ano seguinte (1986), o episódio exibido foi A Trilha das Araras, gravado também em 1985, pois não houve uma pausa de gravação como foi de exibição, e foi também o ultimo episódio da versão clássica do Sítio do Picapau Amarelo. Uma história ecológica dessa vez foi o tema do programa, e foi escrito por Sylvan Paezzo com a colaboração de Margareth Boury, e dirigido por Fábio Sabag, o episódio foi exibido de segunda a sexta em 20 capítulos. A historia conta a busca empreendida por um pequeno índio Coaqui, de uma arvore sagrada, que dá força a sua tribo e que está sempre repleta de araras. Mas o percurso é interrompido por ladrões que querem contrabandear araras.O programa se encerrou por ai. Houve especulações que teria acabado por um possível incêndio local, o que nunca foi confirmado, já que o programa acabou pelo fato de ter permanecido tanto tempo no ar.



Mesmo tendo sido a ultima versão dos anos 80, hoje em dia é pouco comentado e explorado pela internet afora, agora não mais né? Até porque achei que precisava de um pouco mais de informações sobre essa fase do Sítio, que mesmo sendo a ultima não deixa de ser menos importante. Essa fase permanece raridade total e algumas cenas podem ser vistas no YouTube.  
 

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A Despedida de Júlio e Rosana do Sítio do Picapau Amarelo

Desde que a trama estreou na Rede Globo, Rosana e Júlio são uma das duplas mais queridas pelo publico. Mas o tempo é cruel, e já era tempo de aceitar: Ambos estavam grandes para o papel, e já ficava dificil para interpretarem personagens de crianças estando tão crescidinhos. Rosana tinha que colocar uma faixa nos seios já que estava em fase de crescimento, Júlio gravava cenas de joelhos para não aparentar estar tão grande. Com o comunicado da noticia de que sairiam do programa, milhares de cartas foram enviadas para Globo pedindo para que eles continuassem no programa. Que tal uma analise da dupla no seriado? 


 Em 1977 estreava o Sítio do Picapau Amarelo na Plimplim, trama baseada da obra de Monteiro Lobato. Com capitulo piloto intitulado O Picapau Amarelo que era exibido em formato de novela, assim tudo começou. Para o papel de Pedrinho e Narizinho, Júlio e Rosana caíram feito luva, já que a menina teria dado um toque suave de doçura para a menina do nariz arrebitado, e o menino um ar menos desbocado que o dos livros. Deu certo. Até porque desde ai, permaneceram no programa até 1981, saindo com 15 (Rosana) e 16 anos (Júlio). 

A rotina das crianças era a seguinte: acordar, ir para a escola, chegar em casa (onde a Kombi da Globo já as aguardavam) iam para Guaratiba e gravavam oito horas, chegando em casa por volta de dez e meia da noite. O negocio era fogo! 

No final de 1977 foi vinculado que Júlio não faria mais parte do programa no ano seguinte, Júlio contou para a revista Sétimo Céu que quando contou a noticia para Jacira Sampaio (Tia Nástacia) os dois choraram com a possível saída, o que graças a Casé não se concretizou. Rosana gostava muito do personagem como contou na época : Gosto dela imensamente, não considero trabalho, é uma diversão. Concluindo, que acha importante fazer uma novela onde não são apenas filhos de gente problemático e sim personagens alegres e soltos. Parece até gente grande né? 

Com o total de cinco anos fazendo parte do Sítio, já a dois anos especulavam uma possível saída dos dois, dificultada pelo apego criado entre o elenco e produção.  A certeza da saída veio para Júlio depois que ele teve uma conversa com um dos responsáveis pela seleção das novas crianças, já Rosana disse só acreditar quando gravou a chamada para as inscrições dos novos atores. Por mais que estivessem tristes, o fato de terem agora a oportunidade atuarem em novos papeis diferentes do que haviam feito a anos. Esse era o plano de Júlio, já Rosana cogitava fazer teatro.

O último episódio gravado e exibido com eles foi A Mascara do Futuro, episódio esse bastante melancólico, capaz de arrancar lágrimas de muito marmanjo que se remete a lembrança ao rever.

Na história Emília encontra uma mascara no fundo do ribeirão, que quando posta no rosto é capaz de enxergar o futuro, prevendo que Narizinho e Pedrinho que já estão grandes, irão abandonar todos do Sítio. Com isso, ela convida os personagens do mundo da fantasia para morar no Sítio com a finalidade de retardar o crescimento deles. Visconde que também viu na mascara o futuro deles, tratou de criar uma maquina para impedir o crescimento, mas Pedrinho acaba ficando preso nela. No final do episódio, os personagens do reino encantado visitam o sítio e Pedrinho e Narizinho já crescidos, voltam a ser crianças e dão um forte abraço em Dona Benta, cena que simboliza o fim de uma etapa do programa. Pesado. Realmente muito triste o dialogo que eles tem na ultima cena ao lado de Emília, e só de lembrar enquanto escrevo já me aperta o coração. Clique aqui para assistir o episódio 

Eles deram lugar para duas novas crianças, e fato é que tinha que ser assim, já nem fazia sentido eles continuarem no programa, mas sabemos que eles conseguiram de alguma forma permanecerem crianças, de um jeito que nem Emília e Visconde conseguiram prever: Nos corações de quem guarda tanta lembrança das maravilhas do Picapau Amarelo. Obrigado Rosana e Júlio por proporcionarem tanta emoção e alegria para sua geração.